Na véspera da ditadura militar, em 1 de janero de 1964, nasceu Gilson César da Silva, paraibano, nordestino. Último dos três filhos da empregada doméstica e mãe solteira Iracema Gomes da Silva.
Segundo minha mãe, da qual herdei o interesse pela palavra, cresci ouvindo seus cânticos e rimas populares. Aos cinco anos fugia para um bar próximo de casa para cantar e extrair som do corpo; voltava com os bolsos cheios de moedas e sorrisos que contaminavam toda família.
Ainda criança, arrumava motivos para fazer um batuque: pratos, latas, garrafas, além de longas cantorias no banheiro e rabiscos na parede.
Habituado à total solidão, criei inúmeras histórias.
Adolescente, jamais me passou pela cabeça o desejo de ser artista. Com o passar do tempo, vieram as descobertas do mundo, as discotecas, futebol, acampamentos nas praias, o deslumbramento com as bandas de baile, os emboladores de côco, os repentistas, o cenário musical Nordestino - em particular o Paraibano -, os festivais, as intervenções do "Jaguaribe Carne" e encontros com pessoas notáveis que mudaram radicalmente meu destino.
No movimento de jovem, conheci Aderaldo Leite com quem vivenciei alegrias e calorosos debates que atravessavam a madrugada regada à cachaça e filosofia. Aderaldo pôs em minhas mãos rosas malditas e pérolas celestes: Nietzsche, Bacunin, Gramsci e nomes que ajudaram a contruir a revolução bochesvique. Maria de Nazaré Zenaide, psicóloga na associação de moradores do conjunto Tambai, na cidade de Bayuex, abalou profundamente o garoto paroquiano;